sábado, março 18

O trabalho coletivo no teatro e suas linhas imaginárias

Dramaturgo, diretor, cenógrafo, figurinista, iluminador, sonoplasta, maquiador, contra-regra, ator... Onde se inicia e onde termina a função de cada um?

Quantos e quantos dramaturgos não se queixam de mudanças conceituais impostas a suas peças por diretores? E quantos e quantos diretores não se queixam de atores que querem dirigir a peça? E para não ir muito longe, quantos e quantos atores não se queixam de dramaturgos que desejam atuar via texto e diretores que desejam atuar via direção?
Logicamente o profissional que conhece as técnicas de seu oficio profundamente não comete tal erro, mas em um país onde a formação de atores e diretores só acontece de verdade na prática, raras são as exceções, existe sim uma confusão muito presente entre os limites de cada função.

Recentemente assisti a uma série de peças sem direção. Sim, peças teatrais onde os atores é que tinham que “se virar”. Em uma das peças o diretor se distraiu com a iluminação, onde fez várias e várias peripécias, e esqueceu da peça. Em outra os atores estavam perdidos em algumas cenas e era patente que não houve o “direcionamento”.

Exageros a parte, acredito que um caminho possível é o de estabelecer um contrato assim:
Dramaturgo: Responsável pela idéia da peça.
Diretor: Responsável pela estética da peça, porém a estética não pode comprometer a idéia da peça. Caso o diretor não queira defender a idéia do dramaturgo em uma peça, ele que escolha uma peça cuja idéia concorda ou que escreva sua própria peça. Além disso, o diretor é também responsável por direcionar o ator e auxiliá-lo em suas deficiências.
Ator: Responsável por criar uma personagem, porém esta criação deve estar comprometida com a idéia do dramaturgo e com as concepções estéticas do diretor.
Profissionais técnicos: Responsáveis por suas áreas específicas (cenografia, iluminação, sonoplastia e etc.), e também comprometidos com a idéia do dramaturgo e a concepção estética do diretor.

Sabemos que as coisas não são tão simples assim, pois numa peça onde o diretor não dirige, numa peça o dramaturgo não fez dramaturgia e no contexto onde o ator não atua, realmente cruzar a linha imaginária é não só um ato compreensível como também necessário.

Johnny Kagyn é dramaturgo.

1 Comments:

At 12:20 AM, Blogger Márcia Nestardo said...

Sempre me achei um ET, no mínimo caxias, por levar tão a sério esse entendimento de funções e limites dentro do teatro. Sofrido quando havia essa carência em algum aspecto que me forçava a trasngredir. Sofrido mesmo.

Hoje já estou muito mais à vontade com a auto-crítica do processo de trabalho e encaro a construção da obra teatral com tesão, até quando os limites são testados e minha cara de ET fica mais evidente.

 

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