quinta-feira, maio 11

Teatro de dramaturgo é o caminho para um teatro “com” dramaturgo?

Responda rápido. Era o teatro de Shakespeare um teatro de dramaturgo? Shakespeare escrevia as peças, dirigia os atores e também reservava para si alguma personagem. Logo era um teatro de dramaturgo, visto que tudo partia da dramaturgia. Ou não é bem assim? Como se sabe, Shakespeare antes de se tornar dramaturgo foi também ator. Mas talvez o que seja marcante para definir qual era o teatro de Shakespeare seja a convivência e aprendizado que teve com Christopher Marlowe, este sim “apenas” dramaturgo. Para findar esta introdução, afirmo que prefiro acreditar que o teatro de Shakespeare é o genial teatro total (ator, encenador, dramaturgo) de um homem só. Porém alerto que acredito que isto é para gênios.

No século XX começa o reino dos encenadores. Em sua origem este reino advoga em prol do teatro total. O teatro americano, ainda hoje, é calcado numa estrutura que privilegia todas as etapas do fazer teatral desde a dramaturgia até a atuação. Porém, lá pelos anos de 1930 começa a surgir o teatro de encenador. O teatro de encenador tem como característica as experimentações estéticas em detrimento de uma dramaturgia estabelecida. No decorrer do século acaba por dominar a cena também o teatro de ator, teatro este que tem como característica as experimentações do ator em detrimento das experimentações estéticas de um diretor ou ainda das idéias de um dramaturgo.

Na verdade não tenho nada contra o teatro de diretor ou o teatro de ator. Admiro vários representantes de ambos os teatros, tanto no Brasil quanto no mundo. Porém, o meu desejo enquanto artista teatral sempre foi o de executar um teatro total.

Na atual cena teatral paulistana -não posso me comprometer com a cena nacional-, existem vários representantes do teatro de ator e do teatro de diretor (este é o que verdadeiramente domina a cena), temos também o teatro de grupo (teatro este que muita vezes trabalha no processo colaborativo) e agora recentemente foi inaugurado o teatro de dramaturgo, vide Cia. Dos Dramaturgos fundada em 2003/2004.

O SuperNova nasceu com a proposta de “teatro total”. Seria um teatro que começando pela dramaturgia passaria por todas as outras demandas. Em nosso primeiro trabalho foi feita a seleção de diretores e atores, todos eles alheios ao processo dramaturgico. Entretanto, uma grande dificuldade de homogeneização de proposta e enquadramento de filosofia foi encontrada. Existem problemas que advém do vicio cultural do teatro local.

Algumas vontades idealizadas pelo SuperNova mostraram-se de difícil execução prática. Ao menos nesta primeira empreitada a sorte do encontro (pessoa certa, momento certo) não nos abençoou.
Acredito que repensar as vontades seja inevitável.

Mas para finalizar, a minha questão é a seguinte. Devemos insistir na busca do teatro total, mesmo sabendo que este é de difícil execução devido a problemas culturais e de “sorte”, ou apostar nossos esforços no filão aberto pela Cia. Dos Dramaturgos, o teatro de dramaturgo? Será este teatro “de” dramaturgo o caminho para a real inclusão e absorção de dramaturgos e da dramaturgia pelo sistema cultural?

Estou realmente inclinado a pensar na segunda possibilidade. Entretanto pensando que esta possibilidade seja apenas uma etapa para a volta do “teatro total”, teatro este que considere todas as etapas, sem queimas funções.

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