segunda-feira, abril 17

O QUE É UM PONTINHO DESCALÇO, TREMENDO, NO CANTO DA PAREDE??

Se você disse que é um Ator morrendo de medo de se entregar ao aquecimento, acertou!!!!

Comecemos pelo sabido. Ainda há no mundo pessoas que acham que os atores são seres totalmente desprovidos de vergonha, de instinto de auto-preservação ou até mesmo de bom senso, e que eles ( os atores ) são “caras-de-pau por natureza”, por isso pagam tantos micos por aí e topam qualquer coisa para aparecer!

Mas o que muita gente não sabe é que Atores de Verdade, são pessoas com todos os “alertas” ligados e uma consciencia que vai além da corporal e vocal. Os Atores de Verdade sabem que o caminho em busca da técnica é tortuoso e por isso não se entregam a qualquer prática que coloque em risco sua integridade física e mental.

É aqui que encontramos o pontinho descalço, tremendo de medo no canto da parede. Alguns diretores estão ali, no primeiro grupo, dos que acham que podem envolver um ser dotado de intelecto aguçadíssimo, numa proposta totalmente arbitrária de entrega total, sem antes tê-lo preparado para isso. E como trazer aos Atores de Verdade, o ambiente e a atmosfera correta para que grandes descobertas sejam feitas?

Em primeiro lugar, algo cuja explicação já foi feita aqui neste mesmo Blog: LABORATÓRIO DA CHEGADA! Procurem dentre os tópicos e leiam. É essencial para o Ator de Verdade.
Depois, o segundo passo é o líder do aquecimento trazer algo que realmente vai suprir carências, algo relevante para o desenvolvimento do grupo. Quando pensamos e programamos aquecimentos devemos levar em conta algo muito importante: estamos TODOS aptos a fazer isso? Esta experiência que quero proporcionar acontece por si só ou necessito de alguns outros exercícios prévios? Em suma, o líder deve ter cuidado com o conhecimento prévio de cada um e com o que será gerado coletivamente. Não devemos pressionar os Atores de Verdade até que eles mintam sobre seus próprios crescimentos.
E por último, mas extremamente necessário é a Verdade do Ator de Verdade prevalecer sobre o Corporativismo do Ator Amigo. (Ah, em tempo, sobre o Corporativismo no Teatro, o dramaturgo Johnny Kagyn também tratou aqui neste blog, procurem, Atores de Verdade). Nada de agradar o companheiro de palco porque vai ficar “chato” questionar a real necessidade do exercício. Não entendeu, pergunte. Não concordou, discuta. Mas repare bem na ordem: Pergunte e depois Discuta, se necessário.

Atores de Verdade pensam e fazem analogias em seus cérebros, comandam seus corpos e são donos de suas descobertas. Não obriguemos esse seres iluminados a se sentirem tão acuados e pressionados a ponto de precisarem fingirem orgasmos como mulheres mal “amadas” só para que possam dormir em paz!

alissandrarocha@gmail.com

4 Comments:

At 6:42 PM, Blogger Johnny Kagyn said...

Não sei se tenho culhão para discordar... Mas eu não concordo plenamente. Existe também o vicio de se esconder atrás da inteligencia, algo que tranforma o ator "de verdade" em algum impraticavel.

 
At 5:16 AM, Blogger Alissandra Rocha said...

Sim, o escudo mais comum dos atores quando acuados é a inteligência. Ao invés de assumir o medo, o desconforto, a desconfiança que todos nós sentimos frente ao novo, ou até mesmo assumir a preguiça, o ator veste uma armadura do "não faz sentido lógico, por isso não faço!"
Mas se o diretor cria uma rede de proteção resistente tenho certeza que o ator salta para voos além do habitual sem precisar recorrer ao refúgio da inteligenca num primeiro momento.

 
At 9:21 AM, Blogger Márcia Nestardo said...

Li a postagem ontem, mas ainda não estava muito certa se concordo com tudo o que li.
Conheço o laboratório de chegada e entendo seu significado e necessidade de ser. Aceito que meu laboratório poderia ter sido melhor, mas minhas dificuldades, o fato de sentir vergonha, de não me entregar ao aquecimento, estavam muito mais ligadas ao exercício de voz, e não na falta de empatia com o grupo.
Lili, você aproveitou o mote pra lembrar da necessidade de acolhida e disciplina na chegada, mas neste caso eu acredito que o problema era outro.
Deixando o racional de fora, assumi que foi timidez. Quem sabe não estamos precisando de uns jogos específicos, além do laboratório da chegada?

 
At 12:05 PM, Blogger Alissandra Rocha said...

com certeza. O laboratório da chegada tb prepara o ator pra brincar e faltou isso no incio de um exercício tão "impositivo" quanto o aplicado pelo lider do dia. Vc reparou que depois que brincamos de roda e tal vcs ficaram livres pros exercícios de clichês???
A timidez é de todos nós. Somos humanos e temos instinto de preservação, isso nos faz ligar um botaozinho de alerta quando não estamos conectados com o todo.
É normal mesmo!!!!

Mas ainda acho que temos que ter delicadeza ao indicar uma prática a alguém.

 

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