sábado, fevereiro 25

Kagyn vai ao teatro e conhece Mark Harvey Levine


Hoje meio que no impulso fui assistir à peça “Aperitivos” em cartaz no Centro Cultural São Paulo. Sou sempre muito exigente com o teatro, o que me faz começar textos como este com frases do tipo “a peça é boa, o que estraga são os atores”, mas seria uma injustiça neste caso. Entretanto, a peça tem como maior trunfo a dramaturgia de Mark Harvey Levine. Levine mostra total domínio de linguagem em seis peças curtas (O Aluguel, Surpresa, Aperitivos, Super-Herói, Tons e Roteirizado), onde a criatividade e o domínio técnico transparecem. Das seis peças curtas as duas últimas se destacam. Em “Tons” uma mesma situação é repetida seis vezes, mas a cada repetição uma nova perspectiva, um novo ângulo, um novo tom é mostrado até se chegar a resultado conclusivo. Já em “Roteirizado” um alerta um tanto romântico e otimista é dado ao público de forma ao mesmo tempo sutil e brusca. “Roteirizado” por si só vale toda a peça, mas as outras cinco peças curtas também têm inegável qualidade. No mais, a peça tem uma direção relapsa e um conjunto de atores que horas parece que vai, mas que nunca chega ao que poderia ser. Eis uma peça de dramaturgo. Conhecer Mark Harvey Levine vale o ingresso.

3 Comments:

At 2:39 PM, Blogger Márcia Nestardo said...

Dramaturgo exigente, crítico e inteligente.
Não vejo a hora de testar também os limites da minha insegurança, pra expandir numa atuação à altura do que tenho lido...
Vamos todos cirandar, Johnny!

 
At 3:30 AM, Blogger Alissandra Rocha said...

Vi e...

"TONS". Vale por tudo e todos.

ATORES: concordo com o Johnny a respeito dos atores. Sempre há uma promessa de grandes intepretações, mas não acontece. Exceto em Aluguel, onde o ator que faz o namorado (infelizmente através do release não pude identificar os atores por seus nomes), está perfeito em sua interpretação contida e amargurada.

DIREÇÃO: Ausente na maioria dos mini-peças, mais evidentemente em "Superhero", onde a confusão visual desnecessária e atores perdidos entre gritos e mexidas desajeitadas nos óculos e máscaras, encombrem a magnitude do texto. Porém em "Supresa" consegui detectar uma direção consciente e limpa, privilegiando as interpretações deliciosas do casal de atores.

DRAMATURGIA: Fantástica. Apenas achei que a finalização de alguns textos tendia para "baixo", com barrigas. Já não saberia ainda dizer se isso acontece pelos atores ou a direção relapsa, como vc cita.

Mas o mais gratificante foi conhecê-lo tb.

 
At 7:14 AM, Blogger Claudio Rosa said...

Ontem tive a sensação de alguém ter passado, revirado a minha cabeça.
O meu mundo tão particular misturado com o mundo de todos sem a minha autorização, mas talvez, digo talvez com satisfação.
Fui assistir a peça Aperitivos que está em cartaz no CCSP, uma reunião de micro peças do dramaturgo Mark Harvey Levine, sentei em meu lugar pronto para ver uma peça, confesso que fui o mais despretensioso, deveria analisar, estudar, para a minha profissão, enfim não fui assim.
Após o terceiro sinal, começou. Os primeiros 10 minutos e a primeira peça terminou, achei o texto bom e a atriz mal, o ator se segurou, o nome desta primeira era " Aluguel"
Logo em seguida veio uma questão mais absurda, quero dizer não realista em que tratava uma questão paranomal, nome da micro peça, os atores estavam bem nesta...e o dramaturgo começava a me pegar.
Veio a outra, o texto ótimo, amarrado, já pensava: "Que dramaturgo bom! "
A outra não prendeu tanto, achei o texto não muito legal, não curti tanto como os outros, achei muito simples em relação aos outros mas...parece que a Companhia que montou a ordem do espetáculo fez de propósito, pois as suas ultimas micropeças...
Bem, a que leva o nome de "Tons" mostra toda a sensibilidade e dramaturgia maestral de Levine, o jogo é fantástico, o texto é maravilhoso, os atores cresceram, aliás não tem como não crescer com o texto daqueles, o mecanismo estava lá, o texto dramaturgico perfeito, não tinha como estragar, a energia dos atores cresceu junto com ele e o diretor fez o seu melhor trabalho justamente nesse. O TEXTO QUANDO TEM QUALIDADE FACILITAO TEXTO QUANDO TEM QUALIDADE FACILITA MUITA COISA E MUITAS PESSOAS. Fiquei com a boca aberta e com a mente fervilhando, o dramaturgo entrou na minha cabeça como Charlie Kaufman em "Quero ser Jonh Malkovitch e começou a trabalhar lá dentro.
Por fim chegou a ultima do dia, "Roteirizado" e vi meus pensamentos se criarem, se descontruirem e se reconstruírem na minha frente. Técnica do dramaturgo colocadas peça por peça ali na minha frente e ao mesmo tempo meus pensamentos em cena. E o que é estranho e magnífico é que eles não foram ditos por mim.
Só uma coisa a dizer o TEATRO conseguiu me fazer uma coisa mágica, fez-me ver em cena por trás do dramaturgo.

Claudio Rosa

 

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